domingo, 17 de setembro de 2017

Como a pornografia transforma homens em meninos

A pornografia é frequentemente classificada, juntamente com outros produtos relacionados a sexo, como um entretenimento “adulto”— algo para um público “maduro”. Se essa descrição significasse somente “não indicado para crianças”, haveria pouca contestação.

Dito isso, seria tolice concluir que se trata de um argumento a favor da pornografia direcionada a adultos. Heroína e racismo não são também “indicados para crianças”, mas isso não significa, ipso facto, que tais coisas são apropriadas para aqueles que têm mais de dezoito anos.

A indústria pornográfica defende (o que é repetido como uma espécie de mantra) que a pornografia é sofisticada, um entretenimento maduro usufruído por adultos responsáveis. Pornografia, segundo o que almejam que você internalize, é o que os verdadeiros homens apreciam—como, por exemplo, um bom cigarro, um uísque ou uma obra de arte.

Como o infame Ronn Jeremy costuma dizer: “A pornografia é sexo consensual entre adultos que consentem, para ser observado por adultos que consentem.”
O que se quer dizer por maturidade?

Isso nos leva a questionar: O que exatamente constitui um comportamento “adulto” ou “maduro”? Diz respeito apenas à idade do participante? Ou é sobre algo mais? Traçar definições é complicado porque atualmente são utilizados como sinônimos pela mídia erótica—que é exatamente o tema que estamos tentando abordar.

De um lado, utilizamos o termo “maduro” quando estamos falando sobre um estado final ou desejado. Chamamos de “vinho maduro” a bebida que passou por um longo processo de fermentação e que está apropriada para consumo. Também utilizamos o termo “maduro” para denominar aquele que “cresceu” em seus comportamentos ou atitudes—que não demonstra a impetuosidade e ingenuidade da juventude. Fica claro o intuito de os donos dos clubes de stripers chamarem esses estabelecimentos de “clubes de homens”: eles estão insinuando que as atividades que ocorrem ali fazem parte do comportamento que um homem deve ter.

Pergunte a qualquer neurocientista como é um cérebro humano “maduro” e ele falará sobre a região no cérebro conhecida como córtex pré-frontal. Ele é localizado atrás do osso frontal e tem a função de ser o comando central do cérebro. É responsável por nossa força de vontade, regulando nosso comportamento, e nos fazendo tomar decisões baseadas na sabedoria e em princípios. Quando as emoções, impulsos e desejos irrompem da região central do cérebro, o lobo no córtex pré-frontal está lá para fazer o “controle executivo” sobre ele. Próximo aos 25 anos, essa região do cérebro alcança maturidade. Isso significa que nosso pensamento se torna mais sofisticado e nós temos capacidade de regular nossas emoções com mais facilidade.

Neurociência

Afinal de contas, por que trazer a neurociência para a questão? Porque pesquisas fascinantes estão observando o impacto da exposição à pornografia nessa região do cérebro.

O cérebro é projetado de modo que responda ao estímulo sexual. Ondas de dopamina são liberadas durante a relação sexual—também quando nos expomos à pornografia—proporcionando ao indivíduo um senso de foco mais aguçado e uma consciência do desejo sexual. A dopamina auxilia na fixação de memórias no cérebro, então, da próxima vez em que o homem estiver disposto, o cérebro busca a recordação de como experimentar novamente o mesmo prazer: seja com a esposa amada ou acessando um site na internet.

Todavia, os cientistas estão atualmente constatando que a exposição contínua à pornografia faz com que o cérebro viva sob um estímulo não natural—algo com o que, literalmente, ele não está projetado para lidar—e o cérebro eventualmente fica fatigado.

O anatomista e professor de fisiologia, Gary Wilson, salienta que é a mesma condição experimentada quando se consome drogas de maneira abusiva: o cérebro se torna dessensibilizado. Cada vez uma quantidade maior de drogas é necessária para atingir o mesmo estado de prazer, e a espiral descendente começa. Wilson afirma que isso provoca alterações significativas no cérebro—tanto para usuários de drogas quanto para usuários de pornografia.

Uma dessas alterações está na erosão do córtex pré frontal—aquele essencial para o “controle executivo”. Dr. Donald Hilton, um neurocirurgião, compartilha o que os cientistas estão identificando em sua pesquisa:

“Um estudo sobre a adicção à cocaína, publicado em 2002, revelou perda de volume, ou encolhimento, em diversas áreas do cérebro, particularmente nas áreas de controle frontais. Um estudo de 2004 mostra resultados muito similares para o uso de metanfetamina. Mas… nós já sabemos que as drogas prejudicam o cérebro, então esses estudos realmente não nos surpreendem.

Considere, todavia, um vício natural, como excesso de peso que leva à obesidade. Você pode ficar surpreso ao descobrir que um estudo publicado em 2006 revelou encolhimento no lobo frontal em pessoas obesas muito similar aos encontrados nos estudos sobre o uso de cocaína e metanfetamina.

E um estudo publicado em 2007, analisando pessoas que possuem um severo vício sexual, indica quase que os mesmos resultados das análises sobre vícios em cocaína, metanfetamina e obesidade.

Desse modo, temos quatro estudos, dois com drogas e dois com base em estudos de vícios naturais, todos realizados em diferentes instituições acadêmicas e por diferentes grupos de pesquisadores, e, além disso, publicados num intervalo de tempo de cinco anos em quatro periódicos científicos. E todos esses estudos mostram que os vícios físicos afetam o lobo frontal do cérebro.”

Quando o lobo frontal do cérebro fica enfraquecido, quando o desejo por pornografia o atinge, a força de vontade está enfraquecida demais para regular o querer. Os neurocientistas chamam esse problema de hipofrontalidade, quando a pessoa, aos poucos, vai perdendo o controle dos impulsos e o domínio de suas paixões.

A questão é a seguinte: a parte do cérebro cujo desenvolvimento sadio caracteriza justamente a vida adulta e a maturidade é exatamente o que é deteriorada quando somos expostos à pornografia. É como se o cérebro regredisse, tornando-se cada vez mais infantil. Entretenimento “adulto” está, na verdade, nos fazendo ser mais imaturos.

A tentativa de fazer com que os desvios sexuais estejam relacionados a atitudes de homens, são, no meu ponto de vista, nada mais do que uma tentativa para que homens fracos justifiquem seu comportamento vergonhoso. Desde a primeira edição da Playboy, em 1953, a estratégia de Hugh Hefner teve dois focos: aos distribuidores ele iria fornecer a revista como pornografia leve, mas aos consumidores iria apresentar o produto como uma revista de estilo de vida masculino para os homens modernos em ascensão. Isso iniciou a mudança cultural na imagem do público consumidor de pornografia:

Quando os editores direcionavam o leitor, as imagens eram apenas uma das diversas maneiras de atração, ao invés da atração. O leitor não era convidado, prioritariamente, a se masturbar mas, sobretudo, para adentrar o mundo da elite cultural, a discutir filosofia e gastronomia associados à classe média alta… Os marcos da vida da classe alta, que apareciam casualmente como acréscimos (cocktails, aperitivos e Picasso), eram deliberadamente alocados para garantir à revista uma aura de respeitabilidade de classe média-alta.

Tão certo quanto o fato de que a Playboy estaria fadada ao fim sem as mulheres despidas em suas páginas, do mesmo modo teria fracassado sem os artigos e propagandas que projetavam nos homens americanos de classe média-alta o passe para adentrar o mundo da pornografia.


Revolucionários incompreendidos?

Por que as “lojas de adultos” possuem entradas escondidas? É por que seus clientes são revolucionários incompreendidos que estão planejando a queda de uma sociedade sexualmente reprimida? Ou é muito mais simples que isso? É por que sabem que seu comportamento é errado?

Quando se consideram as opções, que comportamento parece corresponder a um homem “maduro” e crescido: fazer amor a vida toda com uma única mulher, de carne e osso, a quem você serve e estima, apesar de suas falhas e defeitos (e apesar dos seus); ou rastejar pela noite à procura na internet, de mulher em mulher, de um vídeo curto a outro, por horas a fio, satisfazendo-se a si mesmo enquanto se conecta a pixels em uma tela?

Não… consentir no consumo (ou, até mesmo, admiração) de materiais pornográficos e outras formas de sexo comercial não são características de um adulto, delatam a mais absurda imaturidade.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A estrela pornô masculina mais premiada nunca revelou porque deixou o pornô


Ele atuou em mais de 1000 filmes pornô em uma carreira de mais de 23 anos.Recebeu dezenas de prêmios da indústria pornô,fazendo dele,em suas próprias palavras,“a maior estrela masculina de filmes adultos de todos os tempos”.E ,em 2002,ele alcançou o topo do mundo dos filmes adultos quando foi introduzido no salão da fama do AVN,o “Oscar do pornô”.

E então em 2011 ele abruptamente se retirou.

Agora Greg(que usava o nome de Randy Spears quando atuava) tem vindo a público com sua história para explicar por que ele de repente deixou a fama e fortuna que trabalhou tão duro para obter.

Em um chocante novo vídeo de “Fight the New Drug”(Lute contra a nova droga), Greg descreve como ele foi para Califórnia nos anos 80 para buscar uma carreira de ator,estava sem trabalho e falido quando os escritores de Hollywood entraram em greve.

Um dia em um desfile de modelos,o maquiador entregou a ele um cartão caso desejasse fazer um “trabalho nu”.

No começo ele resistiu,sabendo o efeito que isso poderia ter em sua carreira no cinema.Mas em seguida,”após cerca de um mês de fome eu decidi que estava pronto para responder aquele chamado.Ele disseram para estar em tal local num certo tempo;então eu saltei em minha motocicleta na manhã seguinte e fui.E fiz meu primeiro pornô”.

“Saí de lá no final do dia com quatro novíssimas notas de cem dólares ", diz ele. "Eu peguei minha moto e meu dirigi para casa.” Eu estava pensando como era fácil. Mas também me lembro de ter pensado: "O que eu fiz?"

O que ele havia feito foi abrir a proverbial ”lata de sujeira”,e começou por um caminho que iria vê-lo se tornar uma das estrelas pornô mais populares na história,ganhar mais dinheiro do que ele nunca tinha sonhado e desenvolver o vício das drogas que consumiu muito do que ganhou, se tornando cada vez mais miserável.

"Eu tinha que ir trabalhar, fazer pornô, para que eu pudesse comprar drogas, para enterrar a dor de fazer pornografia. Então eu ia trabalhar, e fazer pornografia, para que eu pudesse comprar as drogas, para enterrar a dor.”E em volta desse círculo fiquei”,diz ele.

"O que o pornô fez comigo;mudou o jeito que eu pensava e sentia sobre as mulheres”. Comecei a olhar para elas ainda mais como um objeto sexual. Eu perdi a capacidade de ter um relacionamento carinhoso. Eu pensei que eu ainda era capaz. Eu estava enganado. "

Greg descreve o dia em que ele finalmente deixou a pornografia, dizendo que ele deixou o estúdio,dirigiu por dois quarteirões,estacionou;e começou a soluçar. Desde aquele dia, ele diz, nunca mais voltou. "Eu mudei minha vida", diz ele. "Eu comecei minha vida."

"Você vê", ele conclui. "Se eu pude mudar meu coração, qualquer um pode."

Tradução: Flávio Dornelles

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Masculinidade em crise com avanço da pornografia


O consenso a respeito do assunto

Após muitas décadas de psicologia ruim, o mundo moderno finalmente está descobrindo que a pornografia faz mal para as pessoas. A Igreja já dizia o mesmo faz tempo, mas só agora a cultura secular está compreendendo esta sombria verdade. Em um caso raro de consenso, maior parte dos estudiosos tem chegado à conclusão de que a pornografia distorce a visão das pessoas em relação ao outro sexo, atua como uma droga, cuja dependência geralmente piora com o tempo, e tem o potencial de arruinar relacionamentos.
Em resposta a esses dados, grupos das mais variadas áreas do espectro cultural têm oferecido argumentos para convencer os céticos, programas de autoajuda para romper com o mau hábito e até mesmo comunidades para as pessoas compartilharem seus esforços e ajudarem umas às outras. São inúmeros os recursos de qualidade disponíveis para o homem e a mulher que lutam contra o vício da pornografia, sendo muitos valiosos inclusive para quem não sofre com esse mau hábito, já que frequentemente esses materiais trazem insights profundos sobre a natureza humana e o modo de cultivar relacionamentos saudáveis.

Não obstante tudo isso, o problema da pornografia continua a fazer estrago, especialmente nos homens. Hoje, eles podem até dispor de mais recursos que os ajudem a lidar com o vício, mas, ao mesmo tempo, o acesso a conteúdo pornográfico se tornou muito mais fácil com a tecnologia. Podemos apresentar todos os argumentos convincentes para mostrar que a pornografia é algo ruim, mas a verdade é que as pessoas não sentem que seja assim, dado o fato de ela estar por toda parte. No fim das contas, como uma coisa pode ser tão ruim se tantos homens fazem e se é tão acessível?

Ainda que muitos argumentos contra a pornografia realmente ajudem algumas pessoas, a maior parte deles geralmente têm o efeito de varrer o assunto para debaixo do tapete. A vasta maioria dos homens, religiosos ou não, assiste a pornografia, mas guarda silêncio quanto a isso. Assim como as campanhas antitabagistas, campanhas contra a pornografia têm estigmatizado a prática, sem no entanto eliminá-la de fato. Um fumante agora, para dar uma tragada, precisa ir para o seu carro e ficar longe dos outros; o viciado em pornografia faz a mesma coisa.


O sintoma sutil da pornografia

Há uma diferença chave, no entanto, entre esse tipo de adicção e o vício em pornografia: os sintomas do primeiro aparecem e são difíceis de esconder. O fumante, o alcóolatra, o dependente químico tem um cheiro diferente, um aspecto diferente e se comporta diferentemente das outras pessoas. O viciado em pornografia, ao contrário, não parece em nada diferente dos outros, o que torna o seu problema difícil de detectar.

Parte disso também se deve ao fato de que são tantas as pessoas a sofrer com o vício em pornografia que os sintomas acabaram normalizados. Se todas as pessoas cheirassem a cigarro, ninguém iria realmente notar o odor. Quando tantos homens transformam as mulheres em objeto e têm problemas de intimidade, a maioria das pessoas simplesmente assume que isso faz parte de sua natureza.

Outra razão pela qual as pessoas têm dificuldades de detectar uma adicção — particularmente quem a tem — é que o principal sintoma se encerra no mais profundo da alma humana. Muitas discussões sobre castidade abordam os problemas externos como a química corporal, as mentiras contadas a quem se ama, o declive escorregadio para assistir a material mais pesado, a psiquê deformada, mas poucos mencionam o enorme impacto que a pornografia provoca em nosso espírito.

Muitos dirão que a pornografia emascula o homem, é verdade, mas o que isso significa? Significa que ela suga do homem o seu desejo pela excelência, a sua vontade de ser melhor, a sua busca por algo transcendente. Em termos práticos, o homem que assiste a pornografia não vai querer se sair bem na escola ou no trabalho, não vai procurar melhorar a sua saúde e a sua força física, não vai querer ler e trabalhar a sua mente, não fará muito caso de suas amizades e relacionamentos e terá poucos objetivos pessoais (se os tiver). Em suma, ele ficará paralisado.

Em sua Introdução à Vida Devota, São Francisco de Sales chama o homem de "o sexo mais vigoroso", mas a pornografia reverteu essa realidade. Os homens abandonaram seus papéis como provedores e protetores, deixando-os serem assumidos pelas mulheres. Antes, eles dominavam o ambiente acadêmico e definiam a cultura e as tradições; agora, as mulheres se graduam em maior número e a cultura geral se encontra feminizada [1]. Os homens disciplinavam a si mesmos e os seus filhos; hoje, pouquíssimas pessoas sequer conhecem o significado de disciplina. Os homens costumavam passar tempo juntos e formar grandes amizades; agora, eles vivem desiludidos e isolados. Os homens costumavam rezar, ler e escrever; agora, eles "vegetam" em frente a uma tela (de TV, de computador ou de celular). O homem foi criado, enfim, para a grandeza, para a magnanimidade, mas agora, na maioria das vezes, o que ele faz é simplesmente chafurdar na mediocridade.

Rompendo com o mau hábito

Por debilitar o espírito humano, a própria fonte do desejo de adquirir a virtude e eliminar o vício, o hábito de assistir a pornografia é incrivelmente difícil de vencer. A superação de qualquer vício requer uma vontade determinada e a ajuda dos outros, mas a pornografia elimina as duas coisas tornando o homem, de modo secreto, fraco e desmotivado.

Não se trata, porém, de algo impossível. Um homem pode romper com isso se tomar medidas sérias para tanto. Isso significa que ele deve, em primeiro lugar, evitar todas as ocasiões de pecado— qualquer coisa que tenha uma tela e acesso a Internet. Programas de TV e filmes com conteúdo picante, bem como quaisquer revistas ou outros meios com imagens impróprias. Talvez seja necessário livrar-se do próprio smartphone e usar um computador somente para fins profissionais. Se for o caso, assim seja! Uma medida como essa também ajuda a tornar as pessoas ao redor responsáveis por essa mudança.

Eliminar todas essas coisas não vai necessariamente prevenir recaídas, mas elas diminuirão e o terreno estará preparado para uma desintoxicação. Levará um bom tempo, é certo, para as imagens que foram armazenadas na memória irem embora. A ociosidade tende a propiciar que essas imagens venham à tona, pelo que ter um hobby ou dedicar-se a uma atividade também constituem peças chave para frear esses impulsos.

Finalmente, é preciso rezar com frequência. Nada melhor para apagar a chama da luxúria que lembrar a Natividade de Nosso Senhor, a suave humildade de Nossa Senhora ou a Paixão de Cristo. A graça de Deus dará forças a qualquer um que esteja em busca de purificação. Outra boa prática, muito recomendada, é dizer três Ave-Marias ao dormir e ao acordar, todos os dias.

Com o tempo e com muito esforço, a adicção pode e deve diminuir. Mesmo aqueles que duvidavam perceberão a mudança. À medida em que vai perdendo, então, esse compulsivo desejo de olhar porcarias, o homem vai ganhando uma clareza de mente e um controle até então desconhecidos, os quais o ajudarão a crescer e a encontrar felicidade. Ele perceberá, em suma, qual a sua verdadeira natureza e entrará no caminho para ser aquilo para o qual desde sempre foi criado: um homem de Deus!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Como vício em pornografia está afetando saúde sexual de jovens britânicos

Por BBC-Grande parte dos acessos ao material pornográfico
 por jovens se dá por meio eletrônico: celulares e laptops


Um número cada vez maior de homens jovens está sofrendo problemas de saúde sexual, como disfunção erétil, por causa do consumo exagerado de pornografia virtual. O alerta é de uma das principais psicoterapeutas britânicas.

Segundo Angela Gregory, da Universidade de Notthingham, homens entre 18 e 25 anos são os mais suscetíveis a sofrer com o vício em pornografia online. Ela acrescenta que grande parte dos acessos ao material pornográfico se dá por meio de celulares e laptops.

"O que eu vi nos últimos 16 anos, particularmente nos únicos cinco anos, foi um aumento no número de pacientes relatando problemas de saúde sexual", diz ela. "No passado, homens com disfunção erétil que nos procuravam eram mais velhos, e o problema estava associado a diabetes, esclerose múltipla ou doenças coronarianas. Mas essa situação mudou", acrescenta.

Angela destaca que os pacientes mais jovens não apresentam nenhuma dessas doenças. "Eles não têm nenhuma doença orgânica; já foram consultados por clínicos-gerais e tudo parece normal", explica.

"Mas mesmo assim apresentam disfunção erétil. Por isso, uma das primeiras perguntas que faço aos pacientes é sobre o volume de pornografia que eles consomem, bem como seus hábitos de masturbação. Isso pode ser a raiz do problema para entender por que eles não conseguem manter uma ereção com seu(sua) parceiro(a)", acrescenta.

Vício

O britânico Nick (nome fictício) confessa que começou a consumir pornografia na internet quando ganhou seu primeiro laptop, aos 15 anos. "Rapidamente, fiquei viciado. Via pornografia todos os dias", diz.

"Não havia nada que me estimulasse. Por causa disso, com o passar do tempo, passei a procurar conteúdo cada vez mais exagerado para conseguir ter uma ereção", relata. "Isso passou a prejudicar minha vida. Nunca sonharia em colocar em prática o tipo de pornografia que consumia", acrescenta.

Não demorou muito para que Nick começasse a sofrer com problemas de saúde sexual.

Sem ereção

"Descobri que quando estava na cama com uma mulher, apesar de me sentir atraído e querer fazer sexo com ela, nada me excitava. Meu impulso sexual estava totalmente focada na pornografia".

"No meu ápice, provavelmente via pornografia online por duas horas todos os dias."

Quando percebeu que tinha um problema, Nick decidiu procurar ajuda. "Tive uma consulta com uma médica, e ela me disse que eu não tinha nenhum problema de saúde. Por outro lado, me falou que vinha ouvindo relatos similares de muitos pacientes com o mesmo problema."

Como parte de sua reabilitação, Nick passou 100 dias sem consumir pornografia virtual e ficou aliviado quando as coisas começaram a voltar ao normal.

"Minha libido voltou e encontrei uma menina. Foi ótimo", conta. "Pela primeira vez, fui capaz de flertar e depois de algum tempo fazer sexo normalmente. Me senti equilibrado e feliz".

Apoio

Depois de vencer o vício, Nick passou a oferecer apoio a outros usuários com o mesmo problema. "Quando me recuperei, passei bastante tempo em fóruns na internet para ajudar outras pessoas que estavam passando pela mesma situação".

"Hoje, há muito mais informação disponível do que no passado. Você deve conversar com seus amigos, pessoas que estão próximas de você ou naquelas em quem você confia. Não se preocupe, há muitas pessoas no mesmo barco", recomenda.

Fonte: http://zip.net/bstrBM

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A atriz que está desmascarando a indústria pornográfica

Shelley Lubben

"Se a pornografia é tão ruim quanto alguns dizem ser, por que há tantas pessoas trabalhando nisso?"

Há, evidentemente, muitas respostas para essa questão. Algumas mulheres fazem-no por desespero, porque precisam de dinheiro; muitas – se não a maioria – foram abusadas sexualmente; outras, ainda, foram enganadas pela mídia e levadas a acreditar que a indústria pornô seria um empreendimento sexy e cheio de glamour.

Mas, para descobrir em primeira mão qual é realmente a experiência das mulheres dentro da indústria pornográfica, nada como conhecer a história de alguém que experimentou na carne como é ser uma atriz pornô.

Shelley Lubben era estrela de filmes adultos nos anos 1990 e entrou nesse mundo muito cedo, como prostituta. "Trabalhar com sexo é um círculo vicioso", ela conta ao repórter Jonathon van Maren, do sítio americano LifeSiteNews.com. "Depois que eu me destruí na prostituição, mentiram para mim que eu ficaria livre de DSTs e que eu faria muito dinheiro. Eu era mãe solteira, então, que diacho!, por que não fazer sexo em frente a uma câmera? Mas, absolutamente, foi a coisa pior e mais horrível na qual eu me envolvi em toda a minha vida."


"Eu fui criada pela televisão"

No começo, Lubben pensava que, diferentemente da prostituição, onde maior parte dos homens não queriam usar preservativos, a indústria pornô pelo menos a manteria segura de DSTs. Mentira, não havia segurança nenhuma porque, como ela revela, a indústria do sexo toda está cheia dessas doenças.

"Nós não usávamos camisinha nos filmes pornô. Não são permitidos preservativos, somos forçadas a fazer sexo sem proteção – e eu nem seria capaz de avaliar a quantidade de pessoas que alteram os seus testes de HIV. (...) Nós sabemos que a maioria dos artistas pornô tiveram uma DST uma vez ou outra, e estima-se que a maioria deles tenha herpes. Não são feitos testes para herpes, então todas essas pessoas estão envolvidas em muitas doenças.

O próprio Departamento de Saúde Pública de Los Angeles vem fazendo uma monitoração e eles apareceram com milhares e milhares de casos de clamidíase e gonorreia. Eles são o maior grupo na Califórnia a ter tantas DSTs. Então,quando as pessoas consomem pornografia, elas estão contribuindo para o tráfico sexual, elas estão contribuindo para as DSTs, estão contribuindo com pessoas que são, em sua maioria, dependentes de álcool e drogas. Estou falando da maioria. Nem toda estrela pornô é viciada em drogas, mas a maioria é. E, só para dizer, quando eu passei pelo tratamento de recuperação, eu estava com transtorno de estresse pós-traumático. Eu tive todo tipo de desordens, traumas sérios."

Como terminou se envolvendo com as indústrias de exploração sexual, é ela mesmo quem explica:

"Bem, eu fui abusada sexualmente com nove anos de idade por um adolescente e sua irmã. Experimentei atividade heterossexual e homossexual muito chocante com uma idade muito precoce. Ao mesmo tempo, eu fui criada pela televisão – eu era livre para assistir a filmes adultos, de terror e de conteúdo sexual.Basicamente, eu aprendi o que eram amor e sexo dos abusos e da negligência dos meus pais, porque eles simplesmente permitiam que assistíssemos a essas coisas.

Assim que eu cresci, revoltei-me com a ausência do meu pai na minha vida e comecei a procurar sexo com garotos porque eles diziam que me amavam. Então, eu criei esse ciclo na minha cabeça: de que eu seria amada se tivesse sexo com uma pessoa. Meu pai me chutou para a rua por isso, e eu terminei em San Fernando, Los Angeles, onde um cafetão me atraiu, e eu era muito ingênua. Na verdade, eu era rebelde, não ingênua. Ele me comprou por 35 dólares e, então... Você sabe, eu tive que escapar dele fisicamente, porque ele se tornou muito abusivo, e então uma 'madame' me achou e foi onde tudo começou."


"Todo o mundo está anestesiado"

Uma vez dentro do sistema, Lubben ficou presa num ciclo de degradação e destruição:

"Eu odiava a prostituição, me sentia culpada. Então, comecei a fazer stripteasepara sobreviver. Eu não tinha educação alguma – a maioria dessas meninas que entram na pornografia não têm realmente uma educação, talvez haja algumas que digam ter diploma, mas eu nunca vi nenhuma –, mas a maior parte das garotas não vêm de famílias, digamos, muito saudáveis, de onde elas saiam com uma boa auto-estima. Na verdade, eu nunca encontrei estrelas pornôs com famílias realmente saudáveis. Isso não significa que elas não existam, mas provavelmente elas existem na mente delas, porque, é claro, elas vão querer dizer que o trabalho com sexo as 'empoderou', porque, na verdade, se você não pode com seu inimigo, você acaba se juntando a ele. Você não quer que as pessoas pensem que você é fraca quando você está na pornografia; você quer agir como se amasse o que faz, como se amasse ser violentada e ser chamada de nomes degradantes. Tudo não passa de um monte de mentiras. Pessoas fazem filmes pornô porque precisam do dinheiro e a maioria delas não tem outras opções ou educação."

A indústria pornô é obscura, má e incrivelmente violenta. É o que apontam as estatísticas e é o que Lubben percebeu na sua experiência:

"Tudo já era violento na minha época, mas eu me envolvi na pornografia hardcoresó porque estava repleta de raiva contra os meus pais. Mas, no meu tempo, eu jamais deixaria alguém rasgar a minha boca ou colocar algum objeto estranho nela, ou fazer algo que causasse um prolapso retal. Eu nunca faria isso. Teria saído fora. Hoje em dia, as garotas acabam tendo que fazer essas coisas, porque é o que vende. Então, é muito triste que isso seja culpa da nossa sociedade, mas você sabe, agora todo o mundo está anestesiado ao sexo 'mais leve'. Todos querem tudo mais forte, mais bruto e mais sombrio e, eu sequer consigo imaginar o que será da nossa sociedade daqui a 20 anos. Não vai dar, será...Teremos que nos mudar para as montanhas ou algo do tipo, porque eu duvido que qualquer moça normal será simplesmente capaz de andar pela rua a esse ponto."


"A pornografia é tráfico sexual"

É chocante de várias formas que a indústria pornográfica seja tão mainstream e popular, considerando que, ao mesmo tempo, tem havido várias vozes falando abertamente contra a exploração sexual. Perguntada se a indústria pornô alimenta essa realidade, Lubben é categórica:

"Muitas pessoas pensam que a pornografia é um combustível para o tráfico sexual, e elas estão certas. Mas isso só acontece porque a pornografia é tráfico sexual. Ela é considerada uma indústria de morte porque é exploradora; todas nós fomos coagidas a fazer alguma cena que não queríamos fazer. Nós íamos para médicos falsos e clínicas fraudulentas para as quais eles nos mandavam. De fato, as clínicas deles – a principal clínica de estrelas pornô foi fechada alguns anos atrás, por conta dos protestos de muitas de nós –, mas tínhamos uma ex-atriz pornô, com PhD em sexologia, que vestia um jaleco branco e dizia às garotas: 'Me chamem de doutora Sharon Mitchell.' Então, todas as garotas achavam que ela era uma médica, e elas iam lá para receber orientação médica e tratamento para DSTs e para testes. Essa é apenas uma das fraudes que acontecia.

Outra eram as falsas promessas: 'Se você fizer esta cena, você vai conseguir tanto dinheiro, ou vai sair na capa do filme' ou 'Você não terá que fazer esse tipo de cena mais'. Tudo é baseado em mentiras. Você tem que ser forte para aguentar esse negócio.

Sabe, a maior parte desses filmes é feita em locais privados, em mansões privadas ou quartos de hotel aonde não haja nenhum acesso do governo. São, tipo, duas jovens garotas, com 18, 19, 20 anos de idade, em um set cheio de homens mais velhos. O produtor é homem, a equipe é de homens... então, é claro, somos intimidadas a fazer cenas que não queremos fazer. Não dá pra contar quantas vezes eu apareci e eles disseram: 'Você tem que fazer esta cena', e eu dizia: 'Não, não foi o que o meu agente disse', ou 'Não foi o que me disseram', e eles respondem: 'Bem, ou você faz ou não lhe pagamos, nós processamos você.' Agora, com a Internet, eles dizem às meninas: 'Se você não fizer esta cena, vamos mandar o seu vídeo para os membros da sua família, vamos arruinar a sua reputação, você nunca vai conseguir outro emprego, vamos tomar o que você tem, vamos machucá-la fisicamente', ou ameaçam processá-las. Isso é tráfico sexual. Toda estrela pornô já foi explorada uma vez ou outra na indústria do sexo."

Foi por causa disso que, depois de oito anos, Shelley Lubben finalmente deixou a indústria pornográfica. Ela encontrou um pastor, que depois se casou com ela e permaneceu ao seu lado durante dez longos e dolorosos anos de recuperação. Em 2007, ela deu início à Fundação Pink Cross, que trabalha para tirar artistas da indústria pornô, oferecendo-lhes esperança e cura, e para advertir as pessoas afundadas nessa indústria da dor e da escuridão que os espera.

Antes de desligar o telefone, Jonathon von Maren fez uma última pergunta a Lubben: "Se você pudesse dizer uma última palavra a quem está assistindo a pornografia, o que você diria?" Ela não precisou pensar muito:

"Você está contribuindo para a sua própria morte, e para a morte da sua família e da sua esposa. Não dá para dizer quantos viciados em pornografia perderam as suas famílias e empregos. É realmente triste. E eles estão contribuindo para que crianças sejam abusadas. Se você quer uma boa razão para não ver pornografia, pense sobre a pornografia infantil. Apenas pense, neste exato momento em que eu estou falando com você, que há criancinhas pequenas que estão sendo drogadas e estupradas. Como qualquer um seria capaz de ver pornografia sabendo disso?"

Depois de ouvirem o testemunho de Shelley, muitas pessoas, de fato, chegaram à mesma conclusão: a pornografia é uma força destruidora, ela tem destruído e arruinado inúmeras vidas. Para o bem de nossas famílias, de nossa sociedade e de nós mesmos, é preciso romper o silêncio, calcular os danos e cortar essa praga de uma vez para sempre.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe CNP


domingo, 29 de novembro de 2015

Esta ex-atriz de filmes pornográficos está desmascarando os segredos da pornografia: e você se sentirá muito, muito desconfortável

“Se a pornografia é tão ruim quanto você diz, por que ainda há pessoas que trabalham na indústria da pornografia?”

Essa é uma resposta comum a pessoas que combatem a pornografia e que argumentam que ela é sexualmente violenta, a celebração visual do estupro e uma perversa glorificação da degradação das mulheres e garotas.

Naturalmente, há muitas respostas para essa pergunta: algumas mulheres estão desesperadas por dinheiro; muitas, senão a maioria, foram abusadas sexualmente; outras ainda foram ludibriadas para pensar que a pornografia é um negócio glamoroso e sexy (o sucesso da Playboy e a crescente transição de estrelas da pornografia para outras indústrias de entretenimento certamente contribuíram para isso).

Mas a fim de descobrir em primeira mão o que as mulheres experimentam na indústria da pornografia, decidi contatar alguém que esteve lá: Shelley Lubben.

Shelley Lubben foi uma estrela da pornografia na década de 1990, tendo entrado muito jovem na indústria como prostituta. As “indústrias da exploração sexual” (modo como a Dra. Mary Anne Layden se refere a diversos aspectos da indústria do sexo) rapidamente começaram a reivindicar seus direitos.

“O trabalho na indústria do sexo é um círculo vicioso, porque você faz strip-tease, dança e fica exausta com a prostituição”, Lubben me disse. “Depois da prostituição eu fiquei esgotada e mentiram para mim dizendo que eu ficaria protegida das DSTs e que eu faria muito dinheiro. Eu era mãe solteira, então, bem, eu podia fazer sexo diante de uma câmera. Mas foi completa e absolutamente a pior e mais sombria coisa na qual eu já me envolvi”.

Inicialmente, Lubben supôs que, ao contrário da prostituição, na qual muitos dos homens não querem usar preservativos, a indústria pornográfica ao menos a protegeria das DSTs. Não a protegeu – e é por essa razão, como diz Lubben, que a indústria pornográfica inteira está cheia delas.

“Não usávamos preservativos nos filmes pornográficos”, ela disse com franqueza. “Os preservativos não são permitidos, então somos forçadas a fazer sexo desprotegido – e não sei lhe dizer quantas pessoas alteram seus exames. Somente no ano passado, houve 4 casos de HIV, um número alto para um grupo muito pequeno de pessoas… sabemos que a maioria dos atores de filmes pornográficos já tiveram alguma DST em algum momento, estima-se que entre 66% e 99% tenham herpes. Eles não fazem exame para detectar herpes; portanto, todas essas pessoas estão envolvidas de modo desmedido com DSTs”.

“Até o Departamento de Saúde Pública de Los Angeles mostra que eles têm monitorado e que encontraram milhares e milhares de casos de clamídia e gonorreia. Na Califórnia, eles são o grupo com a maior quantidade de DSTs. Portanto, quando as pessoas acessam sites pornográficos, estão contribuindo para o tráfico sexual, estão contribuindo com DSTs, estão contribuindo com pessoas que são as mais viciadas em álcool e drogas. Estou falando da maioria. Nem todo ator de filme pornográfico é viciado em drogas, mas a maioria é. E não sei lhe dizer, quando passei pela reabilitação, tive transtorno de estresse pós-traumático. Tive todo tipo de desordem, traumas sérios”.

Essa é uma história que já li várias vezes em minha pesquisa sobre a indústria da pornografia, então tive de perguntar: por que ela se envolveu desde o início com as indústrias de exploração do sexo?

“Bem, eu fui abusada sexualmente aos nove anos de idade por um adolescente e sua irmã”, respondeu Shelley Lubben. “Portanto, eu experimentei uma atividade heterossexual e homossexual muito chocante quando era muito jovem, e ao mesmo tempo fui criada pela televisão – eu podia assistir a filmes proibidos para menores de idade, filmes de horror, filmes com conteúdo sexual, então aprendi sobre amor e sexo por meio do abuso e basicamente por meio da negligência dos meus pais, porque eles permitiam que assistíssemos a essas coisas”.

“Então, à medida que ficava mais velha, comecei a me rebelar porque meu pai não estava muito presente em minha vida, e eu comecei a procurar por sexo com garotos porque eles diziam que me amavam. Portanto, foi esse ciclo que eu senti em minha mente: eu era amada se fizesse sexo com uma pessoa. Meu pai me expulsou de casa por eu ter me tornado rebelde, e acabei indo para San Fernando, LA, que é o Vale da Pornografia, e um cafetão me seduziu, eu era muito ingênua. Não, eu era rebelde, e não ingênua. Ele me seduziu por 35 dólares, e então ele… você sabe, tive de escapar dele fisicamente, porque ele tornou-se muito abusivo, e então uma senhora me encontrou e a coisa se tornou uma espiral”.

Uma vez inserida [no esquema], Lubben sentiu-se presa em um ciclo de degradação e destruição.

“Eu odiava a prostituição, sentia-me culpada, então eu fazia strip-tease para sobreviver”, disse ela. “Eu não tinha educação – a maioria dessas meninas que entram para o mundo da pornografia não têm educação, talvez haja algumas poucas que afirmam ter um diploma, embora eu ainda precise ver alguma – mas muitas das garotas não são de famílias saudáveis, nas quais possuem uma autoestima sadia. Eu nunca conheci atrizes de filmes pornográficos que são de famílias realmente saudáveis. Isso não quer dizer que elas não existem, mas talvez elas existem na mente dessas meninas porque naturalmente distintas garotas dirão que são fortalecidas com seu trabalho sexual, porque você adere àquilo que não pode vencer. Você não quer que as pessoas pensem que você é fraca quando está na indústria da pornografia; você quer agir como se amasse aquilo e como se amasse coisas difíceis, ser abusada e chamada por nomes degradantes. É um tudo um monte de mentiras. As pessoas atuam em filmes pornográficos porque precisam do dinheiro, e a maioria delas não tem outras opções ou educação”.

A indústria da pornografia é sombria, má e incrivelmente violenta – e tem sido assim por um longo tempo. Eu li para Lubben uma parte da pesquisa do Dr. Gail Dines sobre como a pornografia está se tornando mais violenta, e então lhe perguntei se aquilo refletia a experiência dela.

“Absolutamente”, ela respondeu. “Havia violência mesmo na minha época, mas eu me envolvi com pornografia pesada apenas porque ainda nutria muito ódio pelos meus pais. Mas, sim, na minha época eu jamais teria deixado alguém machucar minha boca, ou colocar algum aparelho estranho nela, ou fazer algo que causasse um prolapso retal, eu não teria feito isso. Eu teria abandonado tudo. Hoje, as meninas acabam fazendo essas coisas, ‘porque isso é o que vende’. Então, é muito triste ver que isso é muito da nossa sociedade, mas como você sabe, todos estão tão dessenbilizados em relação ao sexo convencional hoje. Querem fazer um sexo mais pesado, grosseiro e obscuro… eu não consigo imaginar como nossa sociedade será em 20 anos. Eu não consigo, eu não penso… Terei de mudar para as montanhas ou algo parecido, porque duvido que qualquer garota normal poderá caminhar na rua”.

Em alguns aspectos, é chocante ver como a indústria da pornografia é tão dominante e popular, considerando que ao mesmo tempo tem havido muitas vozes denunciando o tráfico sexual. Eu perguntei a Lubben: a indústria da pornografia não alimenta o tráfico sexual?

“Muitas pessoas acham que a pornografia alimenta o tráfico sexual, e ela de fato alimenta”, disse Lubben firmemente. “Mas ela faz isso porque ela é tráfico sexual. Ela é chamada de negócio cruel porque é tráfico [sexual]; nós todas fomos coagidas a fazer cenas que não queríamos fazer. Fomos até clínicas ou médicos desonestos para os quais nos enviaram. Na verdade, suas clínicas – a principal clínica para atores pornográficos fechou há dois anos, porque muitas de nós estávamos contra ela. Havia uma ex-atriz de filmes pornográficos que tinha um PhD em sexologia, e ela vestia um jaleco branco e dizia às mulheres: ‘me chame de Dra. Sharon Mitchell’. Assim, todas as mulheres pensavam que ela era médica, e elas a procuravam para pedir aconselhamento médico, para receber tratamento contra DSTs e para fazer exames. Esse é apenas um modo de serem desonestos”.

“Outro modo de desonestidade são as falsas promessas: ‘Se você fizer esta cena, eu prometo que você receberá esse dinheiro, ou você aparecerá na capa do filme, ou você não precisará fazer esse tipo de cena mais’. Tudo isso é mentira. Portanto, você tem de ser forte para estar nesse negócio”.

“Como você sabe, a maior parte desses filmes são feitos em locações privadas, em mansões privadas, ou em quartos de hotel aos quais o governo não tem acesso. Então, são duas jovens de 18, 19 ou 20 anos de idade em cenário majoritariamente masculino. O produtor é homem, a equipe é composta por homens… então, é claro que ficamos intimidadas para fazer cenas que não queremos fazer. Não sei lhe dizer quantas vezes eu apareci [para gravar] e eles disseram: ‘você precisa fazer esta cena’, e eu disse: ‘não, não foi isso que o meu agente disse’, ou ‘não foi isso que me mandaram fazer’, e eles dizem: ‘bem, você terá de fazer isso ou não lhe pagaremos, vamos processar você’. E hoje, com a Internet, eles dizem às garotas: ‘se você não fizer esta cena, enviaremos o seu vídeo pornográfico aos seus familiares, arruinaremos a sua reputação, você jamais trabalhará outra vez, vamos tirar dinheiro de você, vamos machucar você’, ou ameaçam processar as mulheres. Isso é tráfico sexual. Todo ator de filmes pornográficos já foi vítima de tráfico [sexual] pelo menos uma vez.

Foi por isso que Shelley, depois de oito anos, finalmente abandonou a indústria da pornografia depois de conhecer um pastor, com quem se casou mais tarde, e que tem permanecido ao seu lado durante dez longos e dolorosos anos de recuperação. Em 2007, ela criou a Fundação Cruz Rosa, que trabalha para tirar da indústria atores e atrizes de filmes pornográficos, oferecendo-lhes esperança e cura, e alertando jovens enamorados pela indústria a respeito da escuridão e da dor que os espera.

Antes de desligar o telefone, fiz uma última pergunta a Shelley Lubben: “Se você pudesse dizer algo a alguém que assiste a pornografia, o que você diria?”

Ela não titubeou: “Você está contribuindo com a sua própria morte”, ela respondeu. “E com a morte da sua família e da sua esposa”. Não dá para falar em quantos viciados em pornografia já perderam suas famílias e trabalhos. É realmente triste. E essas pessoas estão contribuindo para que crianças sejam abusadas. Para ter um motivo melhor pelo qual não acessar pornografia, pense na pornografia infantil. Basta pensar que neste exato momento, enquanto falo com você, há crianças pequenas que estão sendo drogadas e estupradas. Como alguém poderia acessar material pornográfico sabendo disso?”

E na verdade, depois de escutarem a história de Shelley, muitas e muitas pessoas chegaram exatamente a esta conclusão: a pornografia é uma força destrutiva. A pornografia tem arruinado muitas vidas. Pelo bem das nossas famílias, da nossa sociedade e pelo nosso bem – é a hora de contabilizar o custo e eliminar a pornografia definitivamente.

Fonte: http://goo.gl/BY29mS

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Pornografia não corrompe,ela é a própria corrupção

Roger Scruton

ALGUNS de nós ainda nos lembramos com nostalgia do início dos anos 60, quando as pessoas ainda tinham noção da diferença entre pornografia e arte erótica, e quando livros e filmes eróticos só passavam pela censura se alguém pudesse provar seu valor artístico. Tudo mudou muito rapidamente, de acordo com o poeta Philip Larkin:

"O intercurso sexual começou
em mil novecentos e sessenta e três.
Entre o fim do banimento de Chatterley
E o primeiro LP dos Beatles."

Mas ainda, mesmo que hábitos permissivos tenham se espalhado rapidamente pela sociedade, quebrando tabus e uniões conjugais, as pessoas ainda tinham sensibilidade para distinguir entre arte e pornografia, e não havia objeções às leis que proibiam imagens de sexo explícito.

Como muitas distinções intuitivamente óbvias, a diferença que existe entre o erótico e a pornografia não é fácil de explicar. Se diz que a pornografia é obscena, enquanto a arte erótica é meramente sugestiva. Mas o que é obscenidade ? O teste mais antigo definido pelo Ato de Publicações Obscenas de 1959 e 1964 (EUA) diz que alguma obra é obscena se tende a depravar e corromper aqueles que a virem.

Mas esse teste é questionável, já que procura a obscenidade apenas nos efeitos de uma obra e não na obra em si. Mais do que isso, os júris não são nada competentes para prever os efeitos de se assistir um filme ou ler uma novela, e são facilimente convencidos por aqueles que apresentam a pornografia como uma "válvula de escape" saudável para sentimentos que poderiam explodir de maneiras mais perigosas.

O fato é que o desejo de assistir cenas explícitas de cobiça carnal é em si depravado. Não é que os filmes explícitos tenham tendência de corromper: eles são a própria corrupção. Na esfera sexual, essa corrupção consiste na exibição do apetite sexual separado dos relacionamentos que o redimem.

Justificar vídeos pornográficos alegando que eles não tornam as pessoas piores é como justificar o combate entre gladiadores alegando que ele não transforma as pessoas em assassinos. O que estava errado no circo romano é precisamente que ele incentivava as pessoas a assistí-lo. O mesmo acontece com a pornografia.

Um trabalho de arte erótica como o 'Maja Desnuda' de Goya não é obsceno. O modelo de Goya não é exibido como um corpo feminino oferecendo seus favores em um estado de desejo impessoal. Ela é mostrada como uma pessoa, que poderia oferecer seus favores, mas que deve ser abordada com o devido respeito. Imaginar seus abraços é também imaginar seu amor. Não há nada indecente ou doentio nisso, nada demais do que imaginar o amor entre Romeu e Julieta.

O propósito da arte erótica não é aumentar o desejo impessoal, mas nos levar a simpatizar com uma paixão sexual que é direcionada de uma pessoa para a outra, e que é redimida pelo relacionamento que existe entre elas. Claro que se você pensar que nos relacionamentos sexuais nada existe além do prazer, e que tudo que acontece entre dois adultos é moralmente aceitável, então não vai enxergar nada de errado com a pornografia.

E se você pensa dessa maneira, vai ficar difícil entender o valor enorme que as pessoas dão ao amor sexual, o papel central que ele desempenha em nossas vidas, ou o medo e alarme com que se vê sua profanação. Vai deixar de entender os tormentos do ciúme, a alegria do amor retribuído, ou os sacrifícios feitos por pura fidelidade.

Vai ficar difícil explicar o porquê do estupro ser um crime mais sério do que o roubo, o porquê da pedofilia ser perversa, o porquê do assédio sexual ser mais do que um incômodo e o porquê da prostituição ser degradante. Não vai ver o fato crucial do sexo: que ele não é apenas uma função animal mas uma escolha existencial, que envolve liberdade, personalidade e ideais morais para aquele que o pratica.

Nós gostaríamos que as crianças fossem protegidas da obscenidade e da cobiça dos adultos porque acreditamos que elas não estão prontas para o sexo - mesmo quando já são capazes de praticá-lo. Esse conceito de "estar pronto" demonstra que nós não aceitamos a visão que a indústria da pornografia quer nos impingir, de que o sexo não é algo mais sério do que fazer cócegas.

Ao contrário, nós sabemos que o sexo é a coisa mais séria que fazemos, uma coisa que pesa muito nas emoções. O sexo prematuro é um sexo imaturo; e sexo imaturo é o que a pornografia oferece - sexo sem o comedimento do amor adulto. E uma vez que as pessoas contraem o hábito do sexo imaturo, elas ficam imaturas. Nessas pessoas, a capacidade de amar é sacrificada, e com ela, a esperança de um consolo duradouro e verdadeiro.

Quando o sexo é desmoralizado - como é feito na pornografia - ele cessa de ser uma força interpessoal em volta da qual nossas vidas se congregam. As pessoas que experimentam o sexo dessa maneira, portanto, ficam à deriva, de um relacionamento para o outro, ao mesmo tempo que continuam intimamente solitárias.

E você só pode fazer isso, é claro, apenas se for sexualmente atraente. Para a maioria dos viciados em pornografia, as cenas que ela exibe são substitutos das aventuras sexuais, e causa neles uma fantasia masturbatória, sendo que a fonte mais importante de sentimento generoso é voltada para o próprio indivíduo e se atrofia.

Nós não devemos fingir que a liberação sexual dos anos 60 não aconteceu. No entanto, há uma linha divisória entre tolerância e indecência, e que deve ser traçada claramente e defendida legalmente. Nos EUA, a pornografia é protegida por lei, como uma liberdade constitucional. O resultado é que temos uma cultura na qual a licença e o litígio sexual florecem lado a lado.

Mulheres suspeitam cada vez mais dos homens e ficam dispostas a processá-los em juízo ao menor vislumbre de abuso e assédio. Quando os homens começam a ver o sexo do jeito que a pornografia encoraja, as mulheres ficam sem sua arma mais importante: elas não podem mais se caracterizar como um ser precioso, já que sua sexualidade foi roubada e exibida na tela e no papel, como uma mercadoria impessoal.

Essa redução da sexualidade para um produto de consumo coloca em risco muitas das coisas que dão a uma mulher a confiança em seus sentimentos sexuais: amor, compromisso, casamento e um pai responsável para seus filhos. A fúria do feminismo norte-americano transparece um consciência de que a sexualidade feminina foi subtraída de seu objetivo natural e realização social.

O resultado disso, como qualquer um que passou por uma universidade sabe, foi o colapso de confiança entre os sexos. Jovens são ensinadas que o sexo não é diferente do chocolate ou da maconha: uma forma de lazer rápido que é aceitável se o seu metabolismo agüentar.

Ao mesmo tempo, elas aprendem que os homens são todos "estupradores", e que ele não têm disposição de receber a mulher como um ser querido, já que podem obter seus favores à força ou por enganação. O ódio resultante aos homens é também um medo deles - mais que tudo, um medo de da atitude de desmerecimento da sexualidade feminina, que transforma qualquer mulher em uma espécie de máquina hidráulica e que assume um "direito" de posse sem o dever de tratar carinhosamente.

E certamente não é por acaso que o aumento da pornografia coincide com o alarme da população contra a pedofilia. Ambas são ataques à inocência. Ambas causam a demolição do processo pelo qual o sentimento sexual se acumula até ser liberado como amor.

Ambas substituem o desejo erótico - o desejo pelo outro como um indivíduo - e põe em troca uma "cócegas" generalizada. A pornografia e a pedofilia são formas de desmoralização do ato sexual. De fato, a pornografia é a maneira mais efetiva de recrutar crianças para o mundo da cobiça, e é parte do repertório padrão dos pedófilos.

Ao mesmo tempo, a tirania da visão liberal do mundo é tamanha, que as pessoas ficam relutantes em dizer que a pornografia é danosa aos adultos da mesma maneira a pedofilia é danosa às crianças. Tendo chegado tão longe no caminho da tolerância, as pessoas pensam: como resistir ao próximo estágio?

O que as pessoas devem reconhecer, contudo, é que a pornografia é em si um problema. Deveríamos deplorar que as pessoas sejam encorajadas a assistir sexo como um mero espectador de esportes, sem nenhum envolvimento para os participantes.

Fonte: http://zip.net/brrYsG